A única certeza que se tem a respeito da felicidade humana, ou seja, aquela condição que os indivíduos sejam homens ou mulheres esperam, é a de que todos eles a querem sempre e a todo o tempo. Seria isso possível? A resposta é também outra certeza que se tem, sobre a desejada felicidade humana. A resposta é não.
Onde ela se encontra? O que realmente é? Pra começar podemos apenas afirmar que nesta vida cheia de surpresas e contingências, haverá momentos felizes no meio de momentos infelizes. A relação entre esses dois momentos constitui também outra incerteza. Como ficamos então?
A desejada felicidade humana apronta uma série de falácias nos caminhos daqueles que a procuram. Uns afirmam que ela está na riqueza, outros, que o dinheiro não trás felicidade. Acreditam alguns que ela estaria na grande posse de bens materiais, mas, há pobres que também são felizes e nada possuem. Ter saúde, afirmam outros é o mais importante para ter-se a felicidade humana, porém conhecemos doentes que tem vida feliz, apesar de parecer um paradoxo. Essa série de afirmações contraditórias nos deixa perplexos e confusos. Então como refletir sobre esse tema? Seria possível determinar onde se encontra a felicidade humana? “Epicuro afirmava primeiro que “A felicidade pode ser concebida: quer negativa ou estaticamente, como repouso ausência de dor, de preocupações e ainda quer positiva ou dinamicamente, como o desenvolvimento do conjunto das virtualidades do ser”. Por outro lado Bersot afirma” O homem é um ser vivente: sua felicidade é, pois, viver, e a vida é, portanto movimento , portanto esforço, pesar esperança e temor” Arre! que dificuldade para entender esses sábios. Será que não existe uma forma menos complicada de entender este assunto? Achamos que tem.
Pode-se afirmar com certa dose de confiança e certeza, que a felicidade em termos naturais se encontra no exercício das virtudes humanas, independentemente dos resultados que sua prática pode trazer. E quais são essas virtudes? Pode-se começar com as chamadas virtudes cardeais[1] que são as virtudes da prudência, justiça, fortaleza e temperança e todas que delas derivam, como por exemplo a virtude da humildade, da docilidade, da generosidade, da esperança, da paciência da castidade entre outras. Há um conceito fundamental que deve ser compreendido quando se fala de virtudes, e é o de que quando não se vive uma delas, por serem vinculadas, não se vive nenhuma outra. Mas também vivê-las todas com perfeição parece ser, mesmo que desejado, um propósito impossível. De fato é. Mas então como conseguir momentos felizes com essa impossibilidade? A resposta é: Lutando cotidianamente para exercê-las. Para se ter uma idéia mais clara dessa luta é preciso que se tenha um sólido conhecimento da diferença entre temperamento e caráter. O primeiro é uma característica genética, isto é, depende de raça, genética materna, paterna , meio de vida e formação ancestral entre outros. Por outro lado caráter é formado de atos tomados conscientemente, para corrigir os defeitos do temperamento natural e exercitar com vigor as virtudes herdadas e contidas nele. Parece contraditório, mas tanto é falta de caráter não lutar para corrigir os defeitos, bem como é falta de caráter também, não exercer as virtudes já possuídas pelo temperamento natural. Os momentos felizes sempre resultam das pequenas vitórias diárias do caráter de cada um, modificando-se, lutando pela virtuosidade a cada momento de sua vida.
Assim colocado, onde se podem encontrar as situações para desenvolver e melhorar o temperamento? Primeiro abandonando os hábitos que por não constituírem virtudes, são chamados de vícios, segundo exercendo de forma pura e sem ideologia, o que é conhecido como “Bem Comum”. A cada vício se contrapõe uma virtude. Assim ao vício da soberba se opõe a virtude da humildade, ao da avareza a generosidade, ao da ira a docilidade, ao da gula a temperança ao da inveja o desprendimento ao da luxúria a da castidade e assim por diante.
O principal objeto da felicidade reside na superação das virtudes sobre os vícios, só assim desponta outra preciosa virtude que é a da serenidade. Só com sua presença se pode entender e viver momentos felizes.
Do exercício e luta para a melhoria do caráter, surgem na consciência elementos novos de exame, todos.. todos.. influindo na a felicidade. tais como, o domínio do ser, sobre o ter. Em outras palavras, contrariamente se o ter dominar o ser, vem a angústia o egoísmo as ansiedades o excesso de preocupações a avareza. O desejo de sempre ter mais, leva fatalmente à ruína das virtudes e ao incremento dos vícios. Vícios não trazem felicidade.
[1] Cardiais vem do Latim (cardo, inis) que significa gonzo, vínculo, o antecessor do que hoje conhecemos como dobradiça.
Sou natural de Bela Vista. Moro em Nova Andradina há um tempo. Atualmente trabalho no Hospital Regional no Departamento de Radiologia. Nas minhas horas vagas escrevo sobre astronomia mesoamericana. Tenho vários livros publicados no Google. Escrevo com o pseudônimo de René Haurón. Parabenizo-lhe pelo trabalho jornalístico que dedica e o carinho que destina a Nova Andradina. Talvez possa colaborar com alguma matéria. Meu forte seria sobre o calendário Maia, a data de 2012 e a nova configuração desse polêmico sistema. Abraços, Salvador.
ResponderExcluirClaudia! amei ! parabens! mais um blog para mim entrar todos os dias ... bjs
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